Stories Untold: Um horror para sua mente.


Eu tenho sempre receio de jogar jogos de horror desde o fim da vida do ps2. Depois que veio o jogo do Slenderman 80% dos jogos de horror novos foram pegando essa de andar e levar sustos. Fórmula essa deixando de lado as experimentações que sempre tiveram os amados horror games. Deixaram também os pluzzles que te obrigavam a focar no jogo estando assim com os sentidos indefesos para qualquer tipo de susto. Stories Untold parece ter esse mesmo pensamento, usando as experimentações e os puzzles como eu nunca tinha visto na minha vida.

Aqui você já acha que tem coisa errada.

Logo que você entra você vê que apenas tem quatro capítulos, só um disponível, você entra e começa a música synthwave que não dá para assistir sem pensar em Stranger Things. Logo que o jogo inicia você vê essa mesa acima com esses aparelhos dos anos 80 como o PC, alarme e telefone de parede e iluminaria, já ditando a ambientação do jogo.

Quando começa já nos imerge no jogo, fazendo com que tenhamos uma empatia subconsciente pelo protagonista sem rosto ou voz. Você é um cara sozinho no quarto jogando um jogo no seu PC, assim como você. O PC liga com sons que soam desconcertantes, faz anos, anos, que eu não ouvia sons direto da placa de som do computador. O jogo começa, seu nome é The House Abandon ( O Abandono Da Casa) e, ó Deus, é um text adventure, muito comum nessa época de 80 quando os PCs não tinha 250mb de memória ram. É incrivelmente criativo reviver um gênero tão esquecido pelo tempo e não atoa, um text adventure te prende de forma que um mero ” Booo” pode te fazer pular da cadeira. Não sei o quão intencional foi apresentar um jogo de text adventure para um publico do século vinte um, mas, só para sair do carro já parecia um puzzle. Jogar um puzzle em 2019 foi um desafio e tanto. Digitar e sair o som das teclas em um tipo de prompt de comando sem skip, me fez sentir mesmo com um PC da época em minhas mãos. Eu me senti muito millenium quando o jogo começou e eu tentei fazer o cara se levantar da cadeira e olhar para os lados em vez de digitar, haha.

Como é um Text Adventure tudo que eu disser vai ser um baita spoiler. O jogo é um horror bem misterioso. Você é um cara que retorna para sua velha casa depois de um tempo não dito. Tudo aqui tem mesmo um ar de abandono, de saudade e culpa de ter ficado tanto tempo fora. Mas você chega em seu quarto e você vê (ou lê, como é um jogo de texto) o mesmo PC que você está usando. Você monta o PC e nota uma cópia de um jogo, o mesmo The House Abandon que você está jogando, você dá play e a força da sala cai. Vale ressaltar que para sair do carro (mais coisas aconteceram claro) e chegar até aqui, levou uma hora para mim.

A meta linguagem então é colocada em posição de ataque e coisas como luzes, raios, e barulhos de gelar a alma, que estão acontecendo no jogo de texto, começam a acontecer na sala fora do jogo de texto. Digitar sob pressão é uma experiência unica aqui, quanto mais avançamos podemos criar teorias no jogo, mas ao avançar mais eu ao mesmo tempo não queria ver a realidade do tema e historia do jogo.

No próximo capítulo eu estava preparado para mais text adventure, mas o cara me ganhara de novo. A historia agora é outra, você é um tipo de cientista agora, você ouve a voz de seu supervisor e em poucos minutos você está realizando uma experiencia complexa, um tipo de simulador de pesquisador de não sei o que tipo de alien? pois basicamente você tem os aparelhos e tem que usar-los como se devem e quando você vai descobrindo mais da meta linguagem mais do plot da trama você fica arrepiado.

No terceiro capítulo quando eu pensei que já vi de tudo, mais bomba, agora somos um tipo de sismólogos ou sei lá, até código morse você aprende na hora se quiser passar para o próximo capítulo. No final do terceiro a mesma coisa, plot twist insano, mais até que o segundo.

No quarto capítulo, o grand finale, novamente outras mecânicas são adicionadas, todos os mistérios acabam e temos uma conclusão, muito bem construída. Um final não tão previsível, mas nada muito inesperado já que estávamos montando um grande quebra cabeça. O último capítulo é mais para colocar as peças no lugar mesmo.

Stories Untold é agora para mim um dos jogos mais geniais já existentes, tudo nele é perfeito, como os gráficos e a sonoplastia. Mas o “Anti-prêmio de ouro” vai para o roteiro e mecânicas desse jogo. Para uma coisa ambiciosa dessa funcionar Jon Mckellan teve que ser muito bom roteirista, e esse é apenas seu segundo jogo, antes disso ele fez o Alien Isolation.

Gosto de pensar que quando uma obra é perfeita dentro de sua mídia ela é impossível de se adaptar de forma que funcione igualmente sua mídia original, como a HQ Watchman, Os mitos de Lovecraft, clássicos da música que tentam fazer um filme ou HQ sobre e fica uma porra e por ai vai. Stories Untold é assim, ele entende totalmente a linguagem dos games, um dos que mais entende na minha opinião. É incrível como ele funciona bem, como horror, como suspense, como sci-fi. Como eu disse, o foco e imersão nos puzzle é tanto que qualquer coisa mesmo, já te faz ficar tenso.

Nota Final 5 de 5

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